Os Primeiros Registros e a Trajetória do Cavalo Árabe no Brasil

Conheça a história da criação do cavalo árabe no Brasil, iniciada em 1929 por Guilherme Echenique Filho, a fundação do Stud Book, e o desenvolvimento dessa raça nobre que hoje conta com milhares de exemplares no país.

Haras Digital

10/18/20252 min read

O marco inicial da criação do cavalo árabe no Brasil se deve ao gaúcho Dr. Guilherme Echenique Filho, que, em 1929, importou da Argentina o garanhão Rasul e sete éguas puras, formalizando a criação na cidade de Arroio do Sul no Haras Er Rasul, nomeado em homenagem a esse garanhão, que figura como o cavalo nº 1 no Stud-Book brasileiro. O primeiro puro sangue árabe brasileiro nasceu em 15 de outubro de 1929, uma fêmea chamada Airé, registrada com o número 8, filha de Risfan, trazida no útero de Racbdar, uma das sete matrizes importadas do Haras El Aduar, na Argentina.

Airé e a égua Nahrawanna foram os primeiros árabes no Brasil e na América do Sul a serem exportados para os Estados Unidos, pertencendo à célebre criação do General Dickinson no Travellers Rest Ranch, cuja descendência perdura até hoje.

Nos primeiros dez anos da criação registrada no Brasil, destacaram-se as coudelarias nacionais Saycan e Rincão, além da família Echenique, todas no Rio Grande do Sul, que juntas registraram cerca de 160 cavalos. A criação do puro sangue árabe avançou também em São Paulo, em 1936, na Estação Experimental de Criação de São Carlos (Fazenda Canchim), que importou garanhões de sangue francês e argentino, visando o melhoramento da cavalhada nacional.

Importantes importações pelo Ministério da Agricultura, como o garanhão egípcio Ibn Manial em 1939 e o inglês Indian Crescent em 1952, marcaram a expansão da raça.

Em 1955, contabilizavam-se 620 cavalos árabes puros registrados no país, provenientes de quatro criações, a maioria destinada a suprir os regimentos de cavalaria e postos de remonta do Exército Brasileiro.

A criação do cavalo árabe no Brasil ganhou uma nova fase em 1964 com o empresário Dr. Aloysio de Andrade Faria, que importou garanhões e éguas da Inglaterra, Estados Unidos e Polônia, fundando o Haras Fortaleza e a Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Árabe (ABCCA), reconhecida oficialmente pelo Ministério da Agricultura naquele ano, consolidando o Stud Book Brasileiro da raça.

Desde então, a ABCCA continuou a ampliar seu rebanho e a promover eventos oficiais. O crescimento da associação e das criações culminou na transferência da sede para São Paulo em 1969, que se tornou o principal estado de criadores do cavalo árabe no Brasil. Até hoje, aproximadamente 50.000 animais de puro sangue árabe e suas linhagens estão catalogados no Stud Book, uma história que reflete o vigor e a tradição dessa raça tão valorizada no país.

Este legado histórico demonstra o pioneirismo e a dedicação dos primeiros criadores, bem como a importância estratégica dos cavalos árabes para o Brasil, tanto na cultura quanto no agronegócio.